FOUNTAIN HOUSE

Arquitectura: SUBTIL arquitectura

Projecto: Empreendimento Turístico - turismo de habitação

Estado: Concluído em 2025

Localização: Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Açores

Levantamento Topográfico: José António Amaral Teixeira

Levantamento Arquitectónico: José Jacinto Gambão Ávila da Silveira

Engenharia: Tecnovalue

Há edifícios cuja identidade reside na forma como pertencem ao lugar. Nesta intervenção, a preservação da volumetria e da expressão arquitetónica da construção existente constituiu um princípio fundamental, reconhecendo o papel que a casa desempenha no conjunto edificado onde se insere e a memória que transporta na paisagem urbana.

A reabilitação adapta a habitação a um novo programa de Turismo de Habitação, mantendo o seu caráter doméstico e promovendo uma forma de acolhimento onde anfitriões e hóspedes partilham a mesma casa. Em vez de reproduzir a lógica de uma unidade hoteleira convencional, o projeto procura preservar a escala, a proximidade e a atmosfera próprias de uma habitação.

O programa organiza-se em torno de quatro suites, concebidas para garantir conforto e privacidade, enquanto sala de estar, sala de jantar e cozinha permanecem como espaços comuns, incentivando o encontro e a partilha entre quem habita temporariamente a casa e quem nela reside de forma permanente.

No exterior, o logradouro assume um papel central na experiência do conjunto. A antiga fonte, cuidadosamente recuperada, volta a ocupar o lugar que sempre lhe pertenceu, tornando-se o elemento estruturador do jardim e a origem do nome do empreendimento. A sua presença reforça a identidade da casa e estabelece uma ligação entre a memória do lugar e a nova utilização do espaço.

Na extremidade da propriedade, um antigo anexo é igualmente requalificado. O forno de lenha existente é preservado e integrado num espaço polivalente destinado à realização de atividades como showcookings, paint-and-sip, provas gastronómicas ou oficinas criativas. Uma segunda sala, preparada para massagens e outros tratamentos de bem-estar, complementada por um pequeno balneário, amplia a oferta do empreendimento sem comprometer a escala doméstica que caracteriza toda a intervenção.

Mais do que adaptar uma habitação ao turismo, este projeto procura preservar aquilo que distingue uma casa: a sua capacidade de acolher. A arquitetura respeita a identidade do edifício existente, valoriza os elementos que o tornam único e cria as condições para que novos habitantes, ainda que temporários, possam experimentar o lugar de uma forma próxima, autêntica e profundamente ligada à sua história.

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