CASA DA ACHADINHA
Arquitectura: SUBTIL arquitectura
Projecto: Reabilitação de habitação unifamiliar
Estado: Em construção (2026 - )
Localização: Nordeste, Ilha de São Miguel, Açores
Levantamento Topográfico: Pedro Reis Pacheco
Levantamento Arquitectónico: José Jacinto Gambão Ávila da Silveira
Engenharia: Eng. Márcio Almeida
Nem todas as reabilitações procuram recuperar o passado. Algumas procuram revelar qualidades que sempre estiveram presentes, mas que permaneciam escondidas pela forma como a casa era habitada.
Nesta intervenção, o principal desafio não foi aumentar a habitação, mas transformar profundamente a sua organização interior. A compartimentação existente, marcada por um longo corredor e por espaços excessivamente fechados, limitava a entrada de luz natural e a relação entre as diferentes áreas da casa. A intervenção procurou inverter essa lógica, substituindo a sucessão de compartimentos por uma organização mais aberta, fluida e adaptada ao modo de habitar contemporâneo.
No centro da habitação surge agora a área social, onde sala de estar e sala de jantar assumem um papel agregador e estabelecem uma relação direta com a cozinha, igualmente reformulada. A reorganização destes espaços permite não só uma utilização mais flexível da casa, como também uma maior valorização da paisagem, orientando o quotidiano para a vista sobre o mar.
A luz torna-se um dos principais materiais do projeto. O alargamento de alguns vãos, a introdução de claraboias e a escolha de materiais e acabamentos em tons claros contribuem para transformar a perceção dos espaços, tornando-os mais amplos, luminosos e serenos.
No piso inferior, um antigo espaço comercial, anteriormente ocupado por um pequeno cabeleireiro, é convertido numa unidade autónoma destinada a receber familiares e amigos. Num espaço compacto, a organização do programa integra quarto, instalação sanitária, kitchenette e sala de estar, permitindo uma utilização independente sem perder a relação com a habitação principal.
Também o exterior é objeto de uma profunda requalificação. O jardim passa a assumir um papel ativo na vivência da casa, integrando uma horta, uma zona de churrasco, um espaço de estar em torno de uma fire pit e diferentes áreas de permanência que prolongam a utilização da habitação para além dos seus limites construídos.
Mais do que renovar uma casa, esta intervenção procura redefinir a forma como ela é vivida. Através da luz, da reorganização do espaço e da valorização da relação com o exterior, a arquitetura transforma uma construção existente numa habitação preparada para responder às necessidades do presente, preservando aquilo que o lugar sempre ofereceu de mais valioso.