CASA VULCANOLÓGICA
Arquitectura: SUBTIL arquitectura
Projecto: Construção nova de habitação unifamiliar
Estado: Concluído em 2020
Localização: Lagoa, Ilha de São Miguel, Açores
Engenharia: ClifeEngenharia
Medições: João Arruda Braga
Levantamento Topográfico: José António Amaral Teixeira
Empreiteiro Geral: Multipacto – Sociedade Mecânica de Electricidade, Lda.
Carpintaria:Carpintaria Simão e Botelho, Lda.
Caixilharia: Soprac – Novos Materiais de Construção Civil, Lda.
Serralharia:Serralharia Auto Cabral, Lda.
Créditos fotográficos: Estúdio 27 e José António Amaral Teixeira
Publicações: Espaço Arquitetura
Esta moradia parte de uma condição aparentemente simples: construir uma casa para o futuro sem romper com o passado.
O projeto desenvolve-se em torno da permanência. Não apenas da permanência da matéria, mas também da memória inscrita nos objetos que acompanharam a família ao longo de décadas. Desde o início, assumiu-se como princípio a integração do mobiliário existente, recusando a ideia de que uma nova arquitetura exige um novo modo de habitar. As peças transportadas da casa anterior permanecem, encontrando uma nova ordem e um novo significado.
Entre elas, um piano centenário ocupa um lugar singular. Herdado pelos proprietários, atravessou gerações como testemunho silencioso da história familiar. A sua presença determinou o desenho de um elemento construído que o acolhe e enquadra, transformando-o no centro da vida comum. Não como objeto de exposição, mas como parte integrante da arquitetura, onde memória e espaço se tornam indissociáveis.
A organização da casa procura equilibrar abertura e intimidade. Os espaços sociais prolongam-se para o exterior, beneficiando da luz natural e da continuidade visual com o jardim, enquanto as áreas privadas se resguardam numa atmosfera mais contida. A clareza dos percursos, a contenção formal e a seleção criteriosa dos materiais procuram conferir à habitação uma qualidade intemporal, capaz de acompanhar a transformação natural da vida dos seus habitantes.
Mais do que responder a um programa funcional, a casa procura construir um lugar de continuidade. Um lugar onde a arquitetura não substitui a memória, mas lhe oferece um novo suporte, permitindo que objetos, histórias e afetos continuem a fazer parte do quotidiano.