CASA DO SOCORRO

Arquitectura: SUBTIL arquitectura

Projecto: Construção nova de habitação unifamiliar

Estado: Em desenvolvimento

Localização: Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores

Engenharia: Eng. Márcio Almeida

Levantamento Topográfico: Pedro Reis Pacheco

Implantada numa faixa de terreno estreita, na freguesia da Candelária, esta habitação parte da leitura atenta das condições do lugar. A topografia elevada e a exposição a sul oferecem uma vista ampla sobre o Atlântico, tornando a paisagem o principal elemento orientador do projeto.

A organização da casa desenvolve-se de forma clara e quase diagramática. O programa distribui-se em duas zonas distintas, definidas pela sua utilização e pela relação que estabelecem com o exterior. A poente concentram-se os espaços privativos — quartos e instalações sanitárias —, beneficiando os quartos da orientação a sul para usufruírem da luz natural e da vista sobre o oceano. A nascente localizam-se os espaços de utilização comum, reunindo sala, cozinha e alpendre numa sequência contínua que se prolonga até à piscina e ao jardim.

Esta disposição permite que os diferentes momentos da vida quotidiana encontrem a orientação mais adequada, conciliando privacidade, conforto e abertura à paisagem. A circulação estabelece uma transição simples entre os dois setores da habitação, reforçando a clareza funcional que estrutura todo o projeto.

A arquitetura procura responder às condicionantes do lote sem recorrer a gestos excessivos. A implantação, a orientação solar e a organização do programa tornam-se os principais instrumentos de desenho, permitindo que a casa estabeleça uma relação natural com o lugar. A presença constante do horizonte, a entrada controlada da luz e a continuidade entre os espaços interiores e exteriores contribuem para uma forma de habitar profundamente ligada ao território.

Mais do que uma resposta às limitações da parcela, o projeto transforma essas condicionantes na sua principal qualidade. A estreiteza do terreno deixa de ser um constrangimento para se tornar a base de uma arquitetura serena, precisa e intimamente relacionada com a paisagem que a envolve.

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