CASA PONTA GARÇA
Arquitectura: SUBTIL arquitectura
Projecto: Reabilitação de habitação unifamiliar
Estado: Concluído em 2024
Localização: Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Açores
Nem todas as reabilitações procuram recuperar uma casa tal como ela era. Nesta intervenção, o projeto parte daquilo que a construção existente ainda oferece e complementa-a com uma nova arquitetura, capaz de responder a uma forma de habitar mais aberta, simples e contemporânea.
A intervenção transforma a habitação principal e um anexo em duas unidades de alojamento independentes, de tipologias T1 e T3. Embora o anterior proprietário tivesse iniciado algumas obras de reabilitação, a organização dos espaços já não respondia às necessidades atuais, motivando uma profunda reformulação do programa e da forma como cada habitação se relaciona com a paisagem.
O projeto organiza-se a partir de uma leitura clara dos diferentes volumes. Os corpos brancos existentes acolhem os espaços de utilização mais reservada, concentrando quartos e instalações sanitárias e preservando a escala e a memória da construção original. Entre eles surge um novo volume, revestido a negro e definido por uma cobertura plana, que assume uma linguagem assumidamente contemporânea. É neste espaço que se desenvolve a área social, reunindo cozinha, sala de jantar e sala de estar num único ambiente contínuo.
Um amplo envidraçado abre este novo volume para um deck exterior orientado sobre a paisagem de Ponta Garça. A relação entre interior e exterior torna-se parte integrante da experiência de habitar, prolongando naturalmente a vivência da casa para um espaço de contemplação sobre o horizonte e o oceano.
A distinção entre o existente e a ampliação não procura criar contraste pelo contraste. Antes evidencia duas formas de construir que coexistem em equilíbrio, onde cada volume assume um papel específico na organização da habitação e na leitura do conjunto. A arquitetura reconhece a identidade da construção original, mas permite que a nova intervenção seja igualmente legível, afirmando o seu tempo sem comprometer a unidade do projeto.
Mais do que reabilitar uma casa, esta intervenção procura construir uma continuidade entre passado e presente. Através da simplicidade da organização, da clareza dos volumes e da permanente relação com a paisagem, o projeto demonstra que a melhor forma de preservar uma construção existente nem sempre passa por a reproduzir, mas por lhe acrescentar um novo capítulo capaz de dialogar com a sua história.