CASA CG

Arquitectura: SUBTIL arquitectura

Projecto: Construção nova de habitação unifamiliar

Estado: Concluído em 2025

Localização: Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores

Levantamento Topográfico: Pedro Reis Pacheco

Há terrenos que não se procuram dominar, mas compreender. Implantada numa parcela de acentuado declive, esta habitação multifamiliar desenvolve-se em socalcos, permitindo que a arquitetura acompanhe a topografia natural e estabeleça uma relação equilibrada com a paisagem envolvente.

O programa distribui-se por dois níveis autónomos. No piso superior localiza-se uma habitação T2, organizada em torno dos espaços de utilização quotidiana. A entrada faz-se junto ao carport, complementado por uma pequena oficina destinada a trabalhos de carpintaria. A área privativa integra uma suite, um quarto e uma instalação sanitária comum, enquanto a zona social reúne cozinha com ilha, sala de jantar e sala de estar num único espaço contínuo. Um amplo terraço prolonga esta vivência para o exterior, oferecendo uma relação permanente com a paisagem e ampliando a utilização da casa para além dos seus limites construídos.

No piso inferior desenvolve-se uma segunda habitação, de tipologia T1, composta por quarto, instalação sanitária e uma área social em open space com kitchenette. Também aqui a varanda assume um papel determinante, estabelecendo uma continuidade entre o interior e o relvado, transformando o jardim numa extensão natural dos espaços habitáveis.

A expressão arquitetónica resulta da articulação entre volumes, estrutura e materialidade. Os corpos revestidos a negro definem a implantação da habitação sobre o terreno, enquanto as lajes de betão surgem como planos horizontais que parecem pousar sobre esses volumes, acentuando a leitura da composição e conferindo-lhe uma sensação de equilíbrio e leveza.

No interior, o contraplacado de bétula introduz uma atmosfera quente e serena, estabelecendo um contraste com a contenção dos materiais exteriores. A madeira contribui para a unidade dos espaços e reforça a dimensão doméstica da habitação, onde a simplicidade construtiva e a honestidade dos materiais assumem um papel central.

Mais do que responder ao desafio imposto pela topografia, o projeto procura demonstrar que as condicionantes do terreno podem constituir a base da própria arquitetura. Através da implantação em socalcos, da continuidade entre interior e exterior e da clareza da sua expressão material, a casa integra-se na paisagem sem a impor, encontrando na relação entre terreno, estrutura e matéria a sua identidade.

Anterior
Anterior

CASA FENAIS DA LUZ

Próximo
Próximo

CASA DO FISHER