CASA ÁLAMOS BRANCOS
Arquitectura: SUBTIL arquitectura
Projecto: Reabilitação de habitação unifamiliar
Estado: Em desenvolvimento
Localização: Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, Açores
Levantamento Topográfico: Pedro Reis Pacheco
Levantamento Arquitectónico: José Jacinto Gambão Ávila da Silveira
Engenharia: Eng. Duarte Filipe
Há casas que permanecem vazias durante anos até encontrarem uma nova razão para existir. Nesta intervenção, uma habitação devoluta é integralmente requalificada para assumir uma nova função: acolher familiares e hóspedes da casa principal implantada no interior da propriedade, proporcionando-lhes conforto, privacidade e independência.
A organização da habitação parte da estrutura existente, reinterpretando-a para responder às exigências contemporâneas. No piso térreo, a escada assume o papel de elemento estruturador do programa, separando de forma natural a sala de estar da cozinha e da instalação sanitária. Esta disposição permite uma leitura clara da casa, onde cada espaço encontra a sua função sem perder a continuidade entre as diferentes áreas.
No piso superior, a intervenção exigiu uma alteração mais profunda. A elevação da cobertura permitiu criar um pé-direito compatível com as atuais exigências de habitabilidade, devolvendo qualidade e conforto aos espaços interiores. Também aqui a escada organiza o piso, distribuindo dois quartos posicionados em orientações distintas: um voltado para a rua e outro orientado para o interior da propriedade, proporcionando diferentes relações com a envolvente.
A intervenção procura preservar a escala doméstica da construção, evitando alterações desnecessárias à sua identidade. Em vez de ampliar a casa, concentra-se em melhorar a forma como ela é habitada, introduzindo maior luminosidade, conforto e funcionalidade através de uma reorganização cuidada dos espaços.
Mais do que recuperar um edifício desocupado, o projeto devolve-lhe um papel na vida da propriedade. A casa deixa de ser um volume esquecido para voltar a integrar a dinâmica familiar, oferecendo um espaço de acolhimento onde a proximidade entre anfitriões e hóspedes se conjuga com a autonomia de uma habitação independente. A reabilitação demonstra, assim, que a arquitetura pode prolongar a vida útil de uma construção existente sem lhe retirar o carácter, adaptando-a a novas formas de utilização e garantindo a sua continuidade no tempo.