CASA AD
Arquitectura: SUBTIL arquitectura
Projecto: Construção nova de habitação unifamiliar
Estado: Em construção (2026 - )
Localização: Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores
Engenharia: Eng. Clife Braga
Medições: João Arruda Braga
Levantamento Topográfico: José António Amaral Teixeira
Empreiteiro Geral: Pedro Alexandre Furtado Unipessoal, Lda.
Nem todas as casas procuram relacionar-se com a rua. Nesta habitação, a arquitetura faz uma escolha deliberada: preservar a privacidade do quotidiano, orientando todos os principais espaços para o interior do lote, onde o jardim, a paisagem e a luz passam a definir a experiência de habitar.
A ausência de vãos significativos na fachada voltada para o espaço público não representa um gesto de encerramento, mas uma forma de concentrar a casa sobre aquilo que realmente importa. O projeto constrói uma sequência de espaços que se abrem progressivamente para o exterior privado, estabelecendo uma relação contínua entre arquitetura, jardim e horizonte.
No piso térreo desenvolvem-se as áreas de utilização quotidiana. A garagem para duas viaturas, a lavandaria e a instalação sanitária de serviço organizam os espaços de apoio, enquanto cozinha, sala de jantar e sala de estar se reúnem numa ampla área social, totalmente aberta ao exterior através de grandes envidraçados. A continuidade entre interior e jardim permite que o alpendre e os espaços exteriores façam parte integrante da vivência da casa.
Ainda neste piso localizam-se uma suite com instalação sanitária privativa e um segundo quarto / closet, permitindo que a habitação responda a diferentes fases da vida sem depender exclusivamente do piso superior.
No piso superior, dois quartos, uma instalação sanitária comum e uma biblioteca / escritório distribuem-se em torno de uma varanda contínua que percorre toda a largura da habitação. Este espaço exterior prolonga naturalmente os compartimentos interiores e enquadra a paisagem sobre a Serra de Água de Pau e a Montanha da Lagoa do Fogo, transformando a vista num elemento permanente da casa.
A organização do programa procura estabelecer um equilíbrio entre recolhimento e abertura. A rua define o limite da habitação; o interior do lote torna-se o seu verdadeiro centro. A arquitetura constrói, assim, uma sequência de espaços onde a privacidade não resulta do isolamento, mas da forma como a casa escolhe orientar-se para a luz, para o jardim e para a paisagem.
Mais do que desenhar uma habitação voltada para o exterior, o projeto procura construir um universo próprio. Um lugar onde o quotidiano se desenvolve protegido da exposição pública, encontrando na relação entre espaço, natureza e horizonte a principal qualidade de habitar.